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29/08/2008
O começo de tudo no
Recife
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Divulgação
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Josué de Castro aos
dois anos
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Em 5 de setembro de 1908, nascia Josué Apolônio de Castro, filho único de
Manoel Apolônio de Castro e de Josepha Carneiro
de Castro, na cidade de Recife. O pai de Josué veio com a família de
Cabaceiras, no alto sertão paraibano, durante a grande seca de 1877. Era
proprietário de terras e mercador de gado e leite. Josepha
Carneiro, também conhecida como “Dona Moça”, era filha de senhor de engenho
da zona da mata pernambucana, e tornou-se professora em Recife.
Pernambuco daquela época não apresentava diferenças consideráveis em
relação ao restante do Nordeste brasileiro, estagnado economicamente e com
sua gente sofrida. A situação agravava-se em conseqüência das terríveis
secas que se sucederam no final do século XIX. Só na grande seca de 1877 a
1879 morreram cerca de 300 mil pessoas. As secas continuaram se repetindo
em 1888/89 e 1898/1900, afetando a população trabalhadora do sertão que
completava séculos, quase três, de latifúndio e padecimentos. Com a
produção paralisada e a economia em crise só restou aos trabalhadores
desempregados a alternativa de migrarem para outras regiões do território
brasileiro. Alguns buscaram a Amazônia e o Centro-Sul onde se desenvolviam
as culturas da borracha e do café, respectivamente, outros permaneceram no
Nordeste.
Josué de Castro estudou em dois colégios tradicionais do Recife. No
primeiro, não se adaptou à rígida disciplina e tornou-se um aluno rebelde.
No segundo, passou a interessar-se pelos estudos graças à influência do
educador Pedro Augusto Carneiro Leão, o qual, segundo Josué, foi a figura humana que mais influência teve em sua vida.
"Uma
influência discreta, dissimulada, mas no fundo decisiva: a do
educador Pedro Augusto Carneiro Leão, mestre insuperável de inúmeras gerações
de pernambucanos, possuidor de uma penetração psicológica que lhe dava um
domínio tranqüilo sobre a inquieta população de seus jovens alunos. Este
grande pedagogo, profundo conhecedor da alma infantil não pretendeu dominar
a fera pela força, quebrando-lhe o ímpeto selvagem com castigos, mas captar
o seu interesse e desviar sua inquietação para objetivos mais nobres".
O amigo Otávio Pernambucano testemunhou o papel de Josué de mediador entre
o pai e a mãe, que haviam se separado.
"Ele e a Velha Moça adoravam-se.
Com o Velho Neco toda cordialidade, prosa franca,
mas um conflito latente – a mesa ali era farta e lá adiante bem pobre, tudo
o que quisesse para si dava-lhe o pai, mas arengava para dar um pouco mais
à Velhinha, àquele não era ilícito, mas aí estava o preço que o filho
cobrava para aceitar a situação. Desconfiado de ardis, o pai queria saber o
que ele fazia do dinheiro, com fundada razão, pois tinha de sobrar de tanto
um tanto para a Velhinha, e assim era também depois, da mesada do
estudante. Esse contraste entre a abastança por um lado e a miséria pelo
outro, foi a constante de toda sua vida, doía, queimava-lhe a pele,
deixou-lhe a marca".
Com sacrifício, os pais de Josué queriam que seu filho estudasse medicina,
na Bahia. Lá, ele permaneceu por três anos e concluiu a Faculdade no Rio de
Janeiro, em 1929, com 20 anos de idade.
Durante o período em que estudou na Faculdade da Bahia, dois
colegas que moravam na mesma pensão exerceram grande influência sobre
Josué: Arthur Ramos e Theotonio Brandão . Ao ver um estudo de Arthur Ramos publicado nas
páginas de “O Jornal”, o jovem Josué se sentiu motivado a escrever seu
primeiro ensaio, A Literatura moderna e a doutrina de Freud, publicado na
“Revista de Pernambuco”.
O jovem pernambucano, Josué de Castro, estudante de medicina,
era extremamente vaidoso, e para demonstrar erudição, saía à rua com o mais
grosso de seus livros de estudo, conforme relata em seu diário. Não via fronteiras sociais nem culturais que não pudessem ser ultrapassadas,
e acreditava em sua inteligência e competência para conquistar o
reconhecimento de seu trabalho.
“Com Freud fui direto ao estudo da psiquiatria. Encantei-me
com o achado que na Psiquiatria eu poderia relacionar a literatura com a
medicina” . Aos poucos, o interesse por Freud foi
diminuindo e começou a fase da poesia, quando teve
publicados seus poemas no Diário da Manhã e na Revista de
Antropofagia. Como muitos jovens artistas da época, foi influenciado pela
Semana de Arte Moderna, ocorrida em 1922.
Os seus vários artigos e crônicas publicados
na época de estudante já revelavam a multiplicidade de interesses: ciência,
literatura, pintura, cinema eram alguns dos temas que foram abordados neste
período.
Em 1929, viaja para o México chefiando uma delegação de
estudantes, por ocasião da posse do Presidente Pascual Ortiz
Rubio, ex-embaixador no Brasil. Por este motivo,
deixa de comparecer a sua própria colação de grau, pedindo para alguém
responder por ele durante a cerimônia. O Presidente Rubio,
no dia de sua posse presidencial, é ferido a bala, e acaba por renunciar ao
mandato dias depois.
Do México, Josué segue para os Estados Unidos onde faz estágio por quatro
meses na Universidade de Columbia e no Medical Center
de Nova Iorque.
De volta ao Recife, o jovem médico e professor casa-se em 1934 com sua
ex-aluna, Glauce Rego Pinto, com quem veio a ter três filhos: Josué
Fernando, Anna Maria e Sonia.
Fonte: www.projetomemoria.com.art.com.br
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