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17/10/2008

Educação e mudanças em Sergipe

Não há dúvida alguma que a educação é o principal foco para transformar a raiz das desigualdades sócio-econômicas

Por Cristian Góes | cristiangoes@infonet.com.br

Foto: Divulgação

Cristian Góes

Jornalista Cristian Goes

 

É inegável que a atual gestão do Governo do Estado, que chegou ao poder a partir de uma retórica popular de mudança política e administrativa, tem feito algum esforço para materializar as necessárias transformações.

Afinal das contas, Sergipe passou mais de 30 anos sobre o jugo político do atraso e que produziu conseqüências terríveis no desenvolvimento econômico e social. Por isso, o desafio de quem se propunha mudar essa lógica perversa não é fácil.

É também inegável que a insistência em se manter velhos padrões da política do atraso em vários setores termina por comprometer as verdadeiras intenções de modificar de uma vez por todos um quadro de decadência que assola Sergipe há mais de três décadas.

 

Infelizmente para o grosso da população, a simples novidade de uma nova gestão depois de tantos anos com as mesmas figuras do reisado, e os efeitos de uma boa manipulação pela mídia, as mudanças acabam se concretizando. No entanto, com o passar dos anos, percebe-se o ouro de tolo que tiveram que engolir. Por isso, o desafio é mudar na raiz.

 

Os números da última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio, do IBGE (2007), se não estão, deveriam estar martelando a cabeça daqueles que realmente desejam transformar à realidade. Os esforços precisam ser redobrados porque os indicadores apontam que é preciso arregaçar as mangas.

Mesmo num estado tão pequeno, ainda não conseguimos colocar todas as crianças na escola. Na faixa dos 7 aos 14 anos, onde a educação é fundamental, Sergipe ainda tem 4% delas nas ruas. Em Santa Catarina, por exemplo, 99% das crianças nessa faixa de idade estão na escola.

Ainda sobre a infância, apesar de ter um desenvolvimento concentrado em Aracaju e de Sergipe ser o menor estado brasileiro, carregamos um índice de trabalho infantil na faixa dos 5 a 17 anos da ordem de 9,4%. Enquanto isso, no Distrito Federal, com população de quase 3 milhões de pessoas, o trabalho infantil nessa mesma faixa ficou em 4,2%.

De 2006 para 2007, os índices ainda mudaram muito pouco. Em 2006, apenas 89,2% da população sergipana tinham acesso à água potável. No ano seguinte, esse índice saltou apenas 0,3%, chegando a 89,5%. Ou seja, ainda temos quase 11% da população sem acesso à água. É gente demais para um bem tão vital à sobrevivência digna.
 
Situação pior é na rede de esgoto e fossa. Em 2006 eram 71,7% que possuíam em suas casas esses serviços, fundamentais para a saúde pública. No ano seguinte ele aumentou apenas 0,2%, indo para 71,9%. Em outras palavras, mais de 28% da população não têm acesso a rede de esgoto e fossa. Isso parece ser muito grave e precisa ser atacado.

Existem muitos números que apontam à necessidade de mudanças. Mas elas virão. Não há dúvida disso. No entanto, os índices que mais preocupam são os da educação. Na Síntese dos Indicadores Sociais 2008, do mesmo IBGE, o Estado de Sergipe carrega uma marca terrível de 30,6% de taxa de analfabetismo funcional das pessoas de 15 anos ou mais idade. Não há processo de desenvolvimento que se sustente com índices como esses.

Por isso, não há dúvida que a educação é o principal foco para transformar a raiz das desigualdades sócio-econômicas. Como disse o grande mestre Paulo Freire, “se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela, tampouco, a sociedade muda”.

 

Fonte: Infonet – Em: 16/10/2008

 

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"Só existem dois dias do ano em que não podemos fazer nada. O ontem e o amanhã".

(Mahatma Gandhi)


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