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17/10/2008

O dinheiro continua a ser um meio para “convencer” os eleitores ¹

Apesar da fragilidade da nossa democracia, às vezes as surpresas aparecem e modificam a realidade que antes predominava

Por Saulo dos Santos Lopes Cruz | saulodelacruz@ig.com.br

Arquivo: Tribuna da Praia

Voto de Cabresto

O povo brasileiro ainda não atingiu a maturidade

 

O texto da bióloga Dayse Rocha intitulado “o que gira em torno do período eleitoral” merece uma análise mais aprofundada, tendo em vista que a realidade local de Pirambu é um reflexo do contexto nacional no que tange ao processo eleitoral.

 

Inicialmente é preciso expressar que nossa democracia ainda é um regime bem recente, com pouco mais de duas décadas, além disso, trata-se de um importante instrumento de consolidação dos direitos fundamentais da pessoa humana, mas que ainda precisa ser valorizada e reconhecida pelos próprios brasileiros.

 

Observar-se claramente que povo brasileiro, em sua maioria, ainda não atingiu a maturidade necessária de conscientização dos seus direitos e deveres, ou seja, não sabem o que é cidadania, por isso o dinheiro continua a ser um meio muito utilizado para “convencer” os eleitores no processo de escolha de seus representantes.

 

É necessário esclarecer, todavia, que essa fragilidade de nossa democracia representativa se deve a uma série de causas históricas, entre as quais se destacam a miséria, falta de educação e de cidadania do povo, a desconfiança em relação aos políticos brasileiros, a impunidade da Justiça, além, é claro, da própria cultura brasileira de se dar bem a qualquer custo mesmo que de forma ilícita, é o famoso “jeitinho brasileiro”.

 

Apesar da fragilidade da nossa democracia, às vezes as surpresas aparecem e modificam a realidade que antes predominava. Como exemplo, basta mencionar o último pleito eleitoral realizado no município de Pirambu em que se comprovou que nem sempre a força do dinheiro é o bastante para vencer uma eleição, tanto é assim que alguns candidatos que disputaram o cargo de vereador não obtiveram êxito e amargaram duras derrotas, mesmo dispondo de ricas estruturas de campanha. Por outro lado, um candidato humilde e com poucos recursos conseguiu vencer a disputa por uma das vagas da câmara municipal de vereadores.

 

Por fim, mesmo que leve algum tempo, acredito que a democracia em sua plenitude ainda é possível, basta mais atitude dos cidadãos brasileiros, no sentido de lutar pela efetivação dos seus direitos que estão expressamente previstos na Constituição Federal, que é norma máxima de um país. Nesse contexto, defendo a não obrigatoriedade do voto por entender que as pessoas devem ser livres para exercer sua cidadania.

 

Caro Claudomir, como instrumento para auxiliar a compreensão de como os brasileiros escolhem seus representantes, gostaria de indicar os livros “A cabeça do brasileiro” e “A cabeça do eleitor” do cientista político Alberto Carlos Almeida, editora Record.

 

Nota:

 

¹ Título e sub-título atribuídos ao artigo pela Redação da Tribuna da Praia

 

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"Só existem dois dias do ano em que não podemos fazer nada. O ontem e o amanhã".

(Mahatma Gandhi)


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