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17/10/2008

Frevo eleitoral

Por Ronaldo Pereira de Lima | ronperlim@bol.com.br

Arquivo

Bandeira Nacional

Bandeira Nacional

 

As eleições quando se aproximam é recepcionada com entusiasmo, mesquinhez, baixaria, paupérrimas propostas e o calor incondicional dos eleitores, especialmente os mais simples.


Os arrastões, recheados de bandeiras de TNT, odor de pinga, risos misturados ao barulho estridente dos carros de som, dançam sob a música preferida da campanha. Aqueles que fazem parte de outro Grupo assistem à movimentação alegre e convencida da vitória nas urnas. Há xingamento por parte de alguns, assim como há desaforos ditos por parte de outros.


Quando os arrastões passam pelas pequenas ruas, muitos são os rostos descaídos, muitas são as faces de deboches. Mas o calo r contagiante se apossa dos eleitores e estes vão suados gritando o nome do seu preferido como adeptos insanos de uma seita. Mas no meio de toda aquela multidão que arrasta os pés, que secam a garganta, dos sem camisas e tetos; existem os bens "educados", bem alimentados e "esclarecidos" que riem e fazem o vôo circular da ganância, do egoísmo, da podridão dos túmulos caiados. Aqueles capazes de puxarem uma arma, de esconderem as tramóias na consciência, de olharem unicamente para os seus umbigos.


Nas ruas estreitas e abafadas, a multidão segue no maior frevo. Fogos são soltos a cada instante, bandeiras são erguidas, buzinas são ligadas seguindo e fazendo a festa eleitoral nas cidadezinhas quaisquer.


Após tanta folia, tantos gritos, tantas chatices e barulhos; os candidatos se reúnem em um palanque, seja um caminhÊ £o, seja de ferro; começam os seus discursos ínfimos, paupérrimos e medíocres. Poucas são as propostas ditas, mas muitas respostas indecentes, incoerentes e acusações vis. E a multidão fica assim: uma parte dispersa, outra embriagada, outra conversando e outra namorando.


Até o dia das eleições, outros arrastões serão feitos por políticos cínicos e seus comparsas. Das minhas críticas, só excluo o povo porque é simples, mal alimentado e sem uma formação crítica adequada para discernir as suas necessidades pessoais das coletivas.


Eleição é uma manifestação séria, responsável, consciente. Essas coisas faltam na nossa gente, nos nossos políticos. Até porque a qualidade de nossos políticos vai de mal a pior. São ladrões, bandidos, larápios e outros que estão se apoderando da coisa mais preciosa que o eleitor possui: o voto.


Acabado o frevo eleitoral, o que resta para aqueles que precisam de dignidade? A mendicância, o respeito, o conforto, a responsabilidade dos empregados eletivos (prefeitos e vereadores), os desafetos, os compromissos não cumpridos, os rompimentos; dando início a uma nova política de língua.

 

Textos anteriores:

 

17/10/2008 – Frevo eleitoral

23/09/2008 – Voto responsável

16/09/2008 – Eleição responsável e consciente

05/09/2008 – Banditismo político

26/08/2008 – (...) mamaram tanto e querem continuar (...)

13/08/2008 – Voto não é mercadoria

 

 


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