Notícias


| Home | Voltar | Imprimir | Livro de Visitas

 

 

18/10/2008

Gabeira pula à frente

Na pesquisa GPP feita para o PV no final de semana, com 1600 entrevistados, a domicílio, aparece uma vantagem de quase 6% de Gabeira sobre Paes. O IBOPE dá uma diferença de 3%.

Por Alfredo Sirkis

Foto: Divulgação

Gabeira

Gabeira lidera preferência de eleitor no Rio de Janeiro

 

Gabeira aparecia, no final de semana passado, com uma vantagem consistente: na nossa pesquisa GPP --o instituto que, de longe, mais acertou no primeiro turno-- deu 43,9% a 38,2% com 8,5% de nulo e 9,4% não sabe. O IBOPE deu 42% a 39%. Desta vez não parece haver manipulação mas o tradicional desvio de amostragem que o IBOPE apresenta e que sempre tira 2% a 3% de candidatos com base maior na classe média. Isso foi claro na última pesquisa do primeiro turno na qual o IBOPE ainda dava Crivella à frente de Gabeira.

A vantagem de Gaberia agora é bastante sólida. É dificil de ser revertida e deixa o adversário num dilema: se bate, como é de sua natureza e daquela de seus marqueteiros, afunda-se cada vez mais e compromete sua imagem para o futuro, torna-se um personagem político antipatizado pelos formadores de opinião. Seria mais inteligente preservar-se para o futuro --com 39 anos não é nenhum tragédia perder uma eleição para prefeito do Rio, contra uma figura da história do Brasil como é Gabeira- mas como o bom escorpião da fábula (de fato é também escorpião astrologicamente) vai continuar ferrando até se ferrar...

Paes subestima grosseiramente a politização do eleitorado carioca e confunde desinteresse (saco cheio dos políticos) com desinformação. Só assim se explica que tenha tido a cara de pau, no debate da Band, de tentar constantemente associar Gabeira com César Maia. O carioca não é bobo e sabe que um apoio de segundo turno, onde os derrotados escolhem o que para eles é menos pior, significa tão somente...apoio de segundo turno.

César, cujo ciclo na prefeitura, graças a Deus, terminou. tem, por motivos pessoais, mais raiva de Eduardo, que vê como traidor, do que de Gabeira que sempre lhe deu um tratamento civilizado e lhe é menos ameaçador pela sua própria índole não-revanchista, cordial. César sabe que nós verdes não somos de perseguir ninguém, que será tratado de forma civilizada, garantia que o PMDB, aparentemente, não poderia lhe oferecer.

Paes subestima grosseiramente a inteligência e o grau de informação do eleitor carioca. Não há quem não saiba que ele é uma criatura à imagem e semelhança de César. Deve-lhe sua carreira política, fala como César, pensa como César, veste-se como César, ataca nos debates de TV como César, exibe todos os truques que aprendeu com César e rompeu com César pois na filosofia política de César isso é da natureza das coisas. Ele fez isso com Brizola e seu melhor discípulo faz com ele próprio.

Duda teve a cara de pau, no debate da Band, de tentar limitar sua relação umbilical com César ao primeiro governo (93-96). Escamoteou ter sido o secretário de meio ambiente do segundo governo e de ter apoiado César nas últimas eleições, em 2004.

Noutro rompante de cara de pau atacou-me como responsável pela "Cidade da Música" por ter sido secretário de urbanismo do mesmo governo em que ele foi do meio ambiente. Ele sabe perfeitamente que nos posicionamos contra a construção dessa obra (que na época diziam iria custar 80 milhões) no Cebolão, por ser um nódulo de integração intermodal e que a SMU de parecer contrário e sugeriu alternativas. A decisão coube ao prefeito. Nem Paes nem Guaraná, o subprefeito da Barra que ele indicou, tiveram a menor restrição ao projeto. Mais: estou de posse de um panfleto, que distribuíram em 2004, em que ambos assumem, junto com César Maia, a paternidade pelo projeto da Cidade da Música!

 

Tenho comigo os, hoje constrangedores, emails de algumas polêmicas internas que mantivemos à época quando eu reclamava dele por ter-me excluído do processo de implantação das ciclovias --desandou a implantar, afoitamente, ciclovias mal feitas-- de ter prestado informações erradas à imprensa sobre a lei de sombreamento e outros conflitos até comuns entre secretários, diga se de passagem. Tenho documentada a intervenção fulminante e ameaçadora de César em defesa peremptória de seu favorito, do primus inter pares do secretariado: Duda Paes.

César e Paes vem repetindo a inverdade de que Gabeira me indicou para o secretariado da prefeitura. Isso nunca ocorreu. Foi uma decisão partidária, coletiva, do PV, tomada em final de 92, final de 2000 e em meados de 2004 em cima de programas de ação por escrito publicamente assinados. No primeiro governo, inclusive, Gabeira discordava de minha participação. As pessoas também se lembram de minha independência, de minhas discordâncias e polêmicas, muitas vezes públicas, com César (Dois Irmãos, Rio Cidade Copacabana, Guggenheim, etc...) como secretário de meio ambiente e depois de urbanismo. Já Duda era o incondicional, o primeiro discípulo, o filho político. Era totalmente alinhado com César até o dia de romper em função de um conflito feudiano-familiar-político.

Com seu exército de marqueteiros, suas pesquisas quali e quanti diárias, Duda Paes não percebeu ainda o principal: sua falta de, como dizem os norte-americanos, likability (capacidade de ser gostado) vis a vis ao carioca que vê um "jovem turco" afoito e agressivo contaposto a um homem maduro, cordato, que é um patrimônio da história do Brasil e um monumento de autenticidade concorde-se ou não com o que pense sobre esse ou aquele tema. Também não precebeu que o carioca quer um prefeito que tenha boa relação com o presidente e o governador (sem o confontacionismo sistemático de César) mas não quer um pau mandado.

Duda vai descobrir em breve que em política nem sempre 2 + 2 são 4. Somar partidos a sua volta e alianças visivelmente eleitoreiras entre gente que se insultava ainda ontem não o valoriza tanto assim. Pelo contrário, o eleitor sente uma tentação enorme em ajustar contas com todos aqueles políticos agrupados em torno do engomadinho fruto de pesquisas quali e fotoshop e votar naquele cidadão mais "gente como a gente". Por isso, salvo erro nosso grave ou acidente imprevisível, estamos, pela primeira vez, em condições de vencer o segundo turno.

 

  • E o PT, hein?

 

O atual processo eleitoral vem sendo difícil para o PT. O risco não é apenas o de sofrer desnecessárias e surpreendentes derrotas eleitorais. O risco é perder a alma ainda mais que no episódio do mensalão.

O pior episódio de todos é sem dúvida o de São Paulo. Há tempos por vivência e experiência própria não suporto a senhora Marta Suplicy. Não estou exagerando ao dizer que é uma das pessoas mais arrogantes que já conheci em toda a vida. Mas ali havia, pelo menos uma "persona" politica. Grã-paulistana, aristocrata, populista, mas mantinha uma certa linha de modernismo comportamental, combate ao preconceito, até para não ser vítima dele. E Marta agora suicida-se política e socialmente utilizando spots de TV que insinuam a suposta homosexualidade prefeito Gilberto Kassab. Se Kassab é gay ou não é não tem a menor importância. Bertrand Delanoe e Klaus Wowereit, prefeitos de Paris e de Berlim, são ambos gays assumidos e também, ambos, grandes gestores urbanos. Marta de todas as pessoas não poderia ter caído tão baixo.

O que dizer dos nossos velhos companheiros Vladimir Palmeira e Carlos Minc? Para Vladimir Gabeira e eu somos a direita e Eduardo Paes "tem história". Francamente, Vladimir...

Minc não atendeu ou retornou uns cinco ou seis telefonemas que lhe dei semana passada. Depois bizarramente sua secretária me retornou e, aí, desligou o telefone na minha cara. Parece que ouvi alguém ao fundo dizendo: não era prá ligar para ele não... Decididamente meu amigo (ex-amigo?) de 41 anos vem consolidando seu recentemente adquirido hábito de não atender nem retornar telefonemas de amigos fora de seu escopo atual de interesses políticos. Fiquei preocupado com sua frase que li justificando sua posição de apoio a Paes: "...pertenço ao PT, faço parte do governo estadual e sou ministro do governo Lula. Se eu apoiasse o Gabeira vocês teriam a manchete: ' Tripla traição:para contentar seus eleitores Minc trai PT, Sérgio Cabral e Lula'.

Para além da preocupação excessiva com as manchetes me incomoda o fato de ele não perceber o quanto fica exposto a uma inversão entre "contentados" e traídos de suas aspas.

De forma não muito elegante, numa outra entrevista, ele tentou forçar uma identidade entre Gabeira e César referindo-se a minha participação na SMAC e na SMU/IPP. A diferença entre minha relação com César e a sua com Cabral é que eu nunca abri mão de minha liberdade crítica --polemizei publicamente com César inúmeras vezes-- nem me alinhei política-eleitoralmente com ele de forma sistemática nos anos eleitorais que estive a frente dessas secretarias.

Em 1994, César apoiou FHC e nós Lula. Em 2002, de novo ele apoiou FHC e lançou Solange, para governadora, e nós, estando na prefeitura, apoiamos Lula e lançamos Aspásia Camargo, para governadora. A rigor as única vezes que estivemos junto com César eleitoralmente foi no segundo turno de 2000 (o PT em massa também votou nele) e no primeiro turno, em 2004. Em ambas as ocasiões foi em cima de um acordo programático publicamente assinado. O de 2000 ele respeitou em grande parte, já o de 2004, não.

Venho nos últimos anos tomando extremo cuidado para que as questões políticas e eleitorais não interfiram em minhas amizades. Para mim eleição tem a cada dois anos e amigo é prá toda a vida.

 

Fonte: www.sirkis.com.br

 

[ Subir ]

 

 

"Só existem dois dias do ano em que não podemos fazer nada. O ontem e o amanhã".

(Mahatma Gandhi)


É permitida a reprodução, desde que citada a fonte!

© 2004-2008 | Tribuna da Praia | Todos os direitos reservados | All rights reserved

Críticas e sugestões são valiosas: tribunadapraia@infonet.com.br