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24/10/2008

Qual o significado de 24 de Outubro?

Por Maria Thetis Nunes *

O que aconteceu na história política de Sergipe que tornaria o dia 24 de outubro feriado desde o longínquo ano de 1839? Porque a tradição o consagrou como data magna, marcado por grandes manifestações cívicas e populares como registram os jornais da época e falavam as pessoas mais velhas? Ruas engalanadas, desfile de grupos folclóricos e carros alegóricos, recepções no Palácio do Governo conferiram, desde época distante, grandiosidade em 24 de outubro em nosso Estado. Foi o dia escolhido para a posse dos presidentes até a Revolução de 1930.

Ao estudioso do passado sergipano trazem perplexidade essas comemorações desde quando, até o momento, as exaustivas pesquisas realizadas nos arquivos não trouxeram qualquer documento referente a fato histórico ocorrido nesta data.

Em 8 de julho de 1820, a capitania de Sergipe ganhava emancipação política com a Carta Régia de D. João VI, que a tornava Capitania independente da Bahia. Logo, em 25 do mesmo mês, era nomeado governador o Brigadeiro Carlos César Burlamaque, que tomaria posse somente em 20 de fevereiro do ano seguinte. Governaria, porém, menos de um mês, deposto que foi por tropas vindas da Bahia, a mando da Junta Governativa que lá se instalara após a adesão à Revolução Constitucionalista do Porto, reforçada aqui pela adesão de muitos senhores de engenho. O novo governo não reconheceu o ato de D.João VI, mantendo Sergipe dependente da Bahia, que voltaria a vigorar, porém, em 1° de outubro de 1822 quando a Junta Governativa sob pressão do povo, instituída em São Cristóvão ante a ameaça do Exército Pacificador de Labatut que transpunha o São Francisco, e das tropas do capitão-mor João Dantas dos Imperiais Itapicuru que se encontravam em Estância, fez festivamente, a Aclamação do Príncipe regente Constitucional, Protetor e defensor Perpétuo do Brasil o Senhor D.Pedro de Alcântara. Imediatamente, o presidente da Junta, o Capitão-mor das Ordenanças da Vila de Itabaiana, José Mateus da Graça Leite Sampaio, comunicava ao Governo de Cachoeira que passava a vigorar, a partir daquela data, a autonomia de Sergipe.

Teria, assim, 1° de outubro razão de ser comemorado...

A autonomia sergipana seria de pouca duração, desfeita que foi pelo General Labatut quando, a 18 do mesmo mês de outubro, chegou a São Cristóvão, depôs a Junta Governativa, colocando Sergipe defendendo novamente da Bahia.

Só a 5 de dezembro do ano de 1822, Pedro I confirmou a carta Régia de 8 de Julho de 1820 e, definitivamente, Sergipe adquiriu sua autonomia, já integrado ao Brasil-Império, enquanto na Bahia ainda se tratavam as lutas da Independência. Seria 5 de dezembro uma data significativa com motivo para ser festejada.

O Conselho Interino da Província da Bahia, sediado na Vila de Cachoeira, participava em janeiro às autoridades de São Cristóvão que, “por Carta Imperial de 5 do mês passado Sua Majestade o Imperador se dignou ordenar-lhe que reconhecesse essa Comarca de Sergipe Del Rei como Província separada desta forma porque já havia determinado no Decreto de 8 de Julho.”.

Acreditamos ter sido em 24 de outubro quando a Câmara de São Cristóvão teria tomado conhecimento da Carta Régia de D.João VI de 8 de Julho desse ano tornando a capitania de Sergipe independente, considerando-se as dificuldades de comunicação com a Corte na época.

Data de 1836 a primeira comemoração do 24 de outubro, ocasião em que, pela primeira vez, foi cantado o Hino Sergipano, letra de Manuel Joaquim de Oliveira Campos e música de Frei José de Santa Cecília, que pronunciaria o discurso alegórico às comemorações publicado no Noticiador Sergipano. Algum fato deveria ter ocorrido nesta data, considerando-se que ainda deveriam viver participantes dos fatos que marcaram a emancipação de Sergipe.

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* Professora e historiadora

 

Fonte: Jornal da Cidade – Em: 21/10/2008

 

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(Mahatma Gandhi)


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